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Uma das palestras que aconteceu no primeiro dia da Pixel Show de 2018, teve como tema o questionamento “Por que você veio?” e o palestrante foi Ronald Kapaz, sócio titular, head designer e VP de estratégia da Oz Estratégia+Design. Graduou-se em arquitetura pela universidade de São Paulo em 1979, quando fundou, com dois colegas, a Oz Estratégia+Design, que tem hoje 39 anos de mercado e uma equipe multidisciplinar de profissionais. Ao longo desta trajetória, a Oz vem ajudando empresas nacionais e internacionais a refinar sua visão de mundo e propósito e a traduzir seu valor e essência através do bom design, em todos os seus diferentes aspectos e ambientes. A palestra foi uma reflexão sobre algumas particularidades do atual contexto cultural em que vivemos e suas implicações em nossa maneira de ver e sentir o mundo. Como tendo o privilégio de olhar para as corporações e seus desafios, poder fazer disso uma oportunidade para encontrar seu lugar no mundo e transformá-lo com seu fazer, descobrindo e honrando seu destino.

Pra começo de conversa, Kapaz diz que devemos colocar atenção e intenção no que fazemos todos os dias. Atualmente, a forma de ver o mundo está diferente do que era antigamente, pois há muitos anos, o homem era colocado no topo de uma pirâmide, como sendo o ser mais importante e as hierarquias eram mais evidentes. Hoje, o homem é visto como tendo a mesma importância que os outros seres, um modo mais igualitário de ver as coisas. Dessa maneira, com uma nova visão, temos uma nova era, uma nova forma, um novo design.

 

Com essa nova visão, temos o Design das Coisas, como por exemplo o barulho de avião ao enviar e-mail, que é a metáfora e a semiótica aplicadas no mundo digital. Analisando os produtos, podemos ver a desmaterialização do mundo, os smartphones estão tão simplificados que não resta muito do design de produto.

 

 

Para termos uma nova visão, devemos refletir sobre alguns assuntos que muitas vezes se tornam obsessões contemporâneas:

 

  • Design thinking Feeling

O Design Thinking deveria ser chamado de Design Feeling, pois todos somos seres pensantes e racionais, mas o diferencial da área de criação e artes são os sentimentos e a forma como sentem o mundo.

  • Inovação

Não é uma coisa boa para qualquer área (ex: Médicos inovadores, procedimentos experimentais etc), muitas vezes temos que pensar nas estratégias que sabemos por experiência que são boas e que funcionam.

  • Empoderamento

Poder é algo bom, mas deve ser usado com cautela e responsabilidade.

“Com um grande poder, vem uma grande responsabilidade.”

“Nenhum poder, um pouco de saber, um pouco de sabedoria, e o maior sabor possível” – Roland Barthes

 

  • Empreendedorismo

Atualmente as pessoas sonham em trabalhar em lugares como Sillicon Valley, e iniciar sua própria start up, porém, antigamente, o sonho a maioria das pessoas era se juntar e formar uma banda. Precisamos sair não só da caixa, mas sair da bolha, sair do comodismo.

“Quando você aperta o botão de ‘pausa’ de um computador, ele para. Quando você aperta esse botão em um ser humano, ele começa a funcionar. É aí, que se recomeça a refletir, repensar, reimaginar.” – Dov Seidman

  • Unlock – Unblock – Unleash

As mídias tratam a criatividade como algo que está preso, mas a criatividade está em nossa natureza. Escrito por Paul Valéry, o poema localizado no Museu no Homem, em Paris, diz muito sobre esse assunto:

Todo homem cria sem o saber

Como respira

Mas o artista sente-se criar

Seu ato compromete todo seu ser

Seu sofrimento bem amado o fortifica

Coisas raras ou coisas belas

Aqui sabiamente montadas

Instruem o olhar a ver

Como nunca d’antes vistas

Todas as coisas que estão no mundo

Depende daquele que passa

Que eu seja tumba ou tesouro

Que eu fale ou me cale

Isto não diz respeito senão a ti

Amigo não entres sem vontade

Nestes muros dedicados às maravilhas

Acolho e guardo

As obras da mão

Prodigiosa do artista

Igual e rival

Do seu pensamento

Uma não é nada sem o outro

 

O mundo atual está “desestetizando da vida”, criando o analfabetismo estético, pois estamos racionalizando sobre tudo e perdendo os detalhes que acontecem a nossa volta. Devemos estar abertos e se deixar impressionar pelas coisas do mundo. Ser sensível às pequenas coisas do dia-a-dia. “Sentir” o mundo, não só “pensar” o mundo.

 

 

 

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