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Você sabia que os descendentes africanos contribuíram muito para o crescimento da cidade de Jundiaí? Contudo, infelizmente, é difícil encontrar materiais que contem essa história completa. No episódio de hoje, exploramos um pouco da história afro da cidade.

TRANSCRIÇÃO DO EPISÓDIO

 

Olá! Aqui é a Julie Braghetto e está começando mais um Contatos Imediatos, o podcast da io! comunica. Antes de ouvir este episódio, responda mentalmente: na sua opinião, quais são os maiores símbolos culturais da cidade de Jundiaí?

Já era esperado que os colonizadores da província de Jundiaí não aceitariam facilmente àquelas pessoas diferentes deles. Como pode? Andam praticamente nus, vivem apenas com as coisas que a natureza oferece e têm uma cultura própria!

Estes, eram os indígenas de Jundiaí. E eles foram os primeiros escravos da região.

Contudo, a ação era muito criticada pelos padres jesuítas. Sendo assim, quando se tratava da escravidão de indígenas, eles eram chamados de “administrados”.

Com a vinda de homens negros da África, os índios deixaram de serem escravizados para se tornarem homens livres ou alforriados. Mas, obviamente, haviam algumas condições para isso: os indígenas eram considerados livres desde que fossem amigos ou aldeados.

A escravização seria permitida ATENÇÃO: apenas entre aspas, quando os índios ameaçassem a segurança dos colonos, quando os índios fossem salvos por colonos da morte ou cativeiro nas mãos de inimigos e se impedissem a pregação ou se aliassem aos inimigos da Coroa. Ou seja. eles não poderiam ser escravizados, mas também não poderiam ser livres para seguirem sua cultura.

Contudo, com a chegada dos africanos no século XIX, os negros se tornaram mão de obra exclusiva e, com isso, algumas mudanças sociais e culturais ocorrem.

Os índios eram excelentes criadores de cavalos, já os negros, tinham habilidades relacionadas ao trabalho na lavoura. Na época, a plantação de café era predominante no local, foi inclusive uma das produções que impulsionaram o crescimento da cidade, além da ferrovia e indústrias posteriormente.

A presença deste povo no Brasil ocorreu entre o séc XVI e XIX, foram mais ou menos 4 milhões de homens, mulheres e crianças que vieram escravizados. Cerca de 28% morriam no navio durante a vinda.

Os que chegavam, também tinham uma vida bem triste. Nos jornais da época, eram comuns anúncios de escravos foragidos:

“Fugiu na noite de 13 para 14 da corrente da fazenda Montserrate o escravo pertencente à D. Anna Joaquina do Prato Fonseca, de nome Zeferino, de altura regular, bem feito, preto, rosto redondo, olhos grandes, desdentado, com sinais de catapora no rosto e nos braços, e de caustico sobre as costelas do lado direito. Levou consigo camisa de baita azul, calça de pano de algodão. Este escravo foi comprado à Vicente de Sá Rocha. Quem o prender e entregar em Campinas ao Dr. Queiroz Telles, ou ao Sr. João Cavalheiro, em Jundiaí à sua senhora, e no Rio Claro ao Dr. Antonio Augusto da Fonseca, receberá a gratificação de 120 mil réis”.

A quantidade de africanos que vieram para o Brasil e, até mesmo, para a região de Jundiaí, provam o como esse povo contribuiu culturalmente, socialmente e economicamente com a história da cidade. Contudo, infelizmente, não ouvimos muito dessa cultura sendo divulgada. Após a abolição da escravatura, o Visconte de Parnaíba, filho do Barão de Jundiaí, substituiu a mão de obra africana por trabalhadores italianos, que também sofreram nas mãos de autoridades da época. Contudo, os imigrantes italianos se tornaram um símbolo muito maior na cidade. Mas, não podemos esquecer de alguns lugares que tentam resgatar a cultura negra para a cidade.

Como o clube 28 de setembro, que leva no nome a homenagem a Lei do Ventre Livre, que declara livre os filho de mulheres escravas que nasceram a partir da data 28 de setembro de 1871.

Esse clube tem uma importante contribuição cultural para a cidade, pois desenvolve projetos de entretenimento, assistenciais, educacionais, de cidadania e culturais. O local é reconhecido como o mais antigo Clube Social Negro de São Paulo em funcionamento.

Também há a Fazenda Nossa Senhora da Conceição, que continham 108 escravos negros trabalhando no cultivo do café. Na época, o local era propriedade de Francisco José da Conceição, o Barão de Serra Negra e já recebeu figuras importantes da época, como a Princesa Isabel. Atualmente, há visitas em alguns lugares que os escravos ficavam, como é o caso da senzala.

O local nos faz remeter todo o sofrimento que essas pessoas passaram e, a perceber, o quanto algo aparentemente antigo ainda é tão recente. Onde está a história negra de Jundiaí? E as outras fazendas que eles trabalharam? E os locais que moraram? Por que sua história não é tão evidenciada como a dos imigrantes italianos na cidade? Ainda há muito o que resgatar dos negros do passado de Jundiaí e muito espaço para conquistar.

 

Bom, por hoje é só!

Gostaria de agradecer a Camila Godoy, que participou do programa de hoje. As referências da pesquisa deste episódio estão no feed do podcast.

Tem alguma sugestão? Não concorda com o que falamos? Tem algo a acrescentar a pesquisa? Por favor, comentem no Facebook, enviem uma mensagem… A opinião de vocês é muito importante.

Este foi um oferecimento io!comunica. Até a próxima!

 

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Julie Braghetto

Produção e narração: Julie Braghetto, Rafael Godoy e Camila Godoy.

Edição: Matheus Oliveira

LINKS:

https://www.fnsc.com.br/

http://www.jundiainahistoria.com.br/dados-historicos/os-primeiros-trabalhadores/

http://www.seuplaneta.com.br/Jundiai/2012/11/historiadores-apontam-jundiai-era-a-cidade-dos-mortos.html

http://www.jundiainahistoria.com.br/dados-historicos/o-cafe/

http://www.jundiainahistoria.com.br/a-forca-negra/

http://www.jj.com.br/opiniao/eginaldo-honorio-democracia-racial/

https://www.clube28desetembro.com.br/

 

BIBLIOGRAFIAS

MORALES, W.F.; MOI, F.P. Índios e Africanos no interior paulista: um estudo

sobre a transição do cativeiro indígena para a escravidão africana na Vila de

Jundiaí, SP, no século XVIII. Revista do Museu de Arqueologia e Etnologia. São Paulo,

18: 115-131, 2008.

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