em Blog, Contatos Imediatos

Você é daqueles que adora ficar horas e horas conversando sobre lendas e mistérios? Então vai gostar do episódio de hoje!

Olá, meu nome é Julie Braghetto e este é o Contatos Imediatos, podcast da agência io!comunica.

No episódio de hoje, nós falamos sobre algumas lendas da região e conversamos com a Dona Marielza, de 65 anos, que já viu e ouviu muita coisa que deixaria qualquer um arrepiado.

Quem mora em cidades do interior, frequentemente é presenteado com visitas da Mula sem Cabeça, uivos de Lobisomens, apitos de Saci e luzes estranhas no céu. Mas quem vive atualmente em Jundiaí, nem imagina que histórias assim já rondaram a cidade, né?!

No máximo, o que já ouvimos falar foi da Maria dos Pacotes, uma senhorinha que realmente existiu e andava pra lá e pra cá com um monte de sacolas. Dizem, que no final dos anos 60 ela foi abandonada no altar e os pacotes eram os presentes que o casal havia ganhado.

E a noiva do cemitério Nossa Senhora do Desterro? No túmulo de Dr. Leonardo Cavalcanti, a estátua de uma mulher chorando chama a atenção de qualquer um que passa por lá. Diz a lenda, que a moça era noiva de Leonardo e acabou morrendo de tristeza sobre o caixão do amado.

O que você sentiria se soubesse que a nossa região já foi habitada por lobisomens? Dona Mari, como gosta de ser chamada, já viveu alguns episódios de arrepiar, e tudo começou com as histórias que seu pai contava lá atrás.

[Dona Marielza] – A primeira ele era solteiro, né. Ele contava que ele era solteiro e fazia pão para vender, ele e o sócio dele. Era em um sítio e era forno de barro ainda, né, então eles faziam pão a noite para assar e vender no outro dia.

Então ele contava essa história para nós que teve um dia, várias vezes aconteceu, mas esse dia foi o mais grave. Aí ele falou que estava ele e o sócio dele amassando o pão, né, e o forno acesso.

Enquanto eles amassavam o pão eles viam um vulto passando, correndo, um vulto grande passando pra lá e pra cá, e a família desse sócio dele, a mulher dele tinha um nenénzinho novo, recém-nascido e eles estavam preocupados com aquele vulto passando em frente da casa. Aí, pronto, amassaram os pães tiraram a lenha do forno para colocar o pão, aí enquanto eles colocavam o pão esse vulto passou correndo, um vulto preto, grandão que passava.

Aí o amigo dele disse “Nossa, o que será isso?” e eles correram pra dentro, olharam pra fora e o amigo dele falou assim “É o Lobisomem! Quando a gente faz pão aqui eles ficam rodeando”, aí meu pai não tinha muito medo, não sei se ele não tinha muito medo ou queria ser corajoso, né, falou “Vamos matar esse Lobisomem! Esse Lobisomem não vai aparecer mais aqui, não! Vamos acabar com esse Lobisomem.” Aí a mulher gritou lá do quarto “Fala pra ele vir buscar um pires de sal amanhã”, aí meu pai achou estranho, quando aí puseram o pão para assar.

Quando puseram o pão para assar ele voltou outra vez aí meu pai pegou um ferro, ele contava que ele pegou um ferro para bater nele, aí o sócio dele falou “Não, não bate nele com um ferro não que vai tirar sangue, se você tirar sangue você vira lobisomem”, aí ele pegou um pedaço de pau, aí esse Lobisomem passou. Quando esse Lobisomem passou meu pai jogou o pau nele, e quando meu pai jogou o pai dele ele fez como se fosse um grito e caiu, e quando ele caiu ele levantou e foi embora.

 

[Julie] – Mas era um lobisomem mesmo, ou era uma pessoa?

 

[Dona Marielza] – Aí é que está a história. A mulher tinha gritado assim “Fala pra ele vim buscar um pires de sal amanhã”. Aí passou o dia, amanheceu, tiraram o pão para vender. Aí apareceu esse homem vendendo peneira e estava com uma perna manca, mancando a perna, e a unha grande. E depois que eles viram o homem eles foram olhar o forno, quando eles olharam o forno, por fora, tinha muitas arranhadas, e falaram assim “Esse homem é o Lobisomem!”.

Aí ficou ele como lobisomem lá na vila, ficou conhecido como O Lobisomem.

 

[Julie] – Mas não foi apenas o pai de Dona Mari que vivenciou histórias estranhas com lobisomens, a própria Marielza aos 12 anos teve uma experiência bem assustadora na Pedreira, aqui em Jundiaí.

[Dona Marielza] – Eu, meu pai e nós dois, irmãos, nós pescávamos muito, sempre pescamos, né.

Teve uma sexta-feira que nós fomos pescar. Teve uma sexta-feira que nós chegamos, jogamos o palito, já era tarde, aí apareceu, tinha um barulho de cachorro, muito cachorro e não tinha lâmpada na rua então você abria a janela e era uma escuridão só. E na nossa casa, a cozinha tinha um vitrô e lá fora tinha uma cerca de taquara. E nós, jogando palito, de repente aquele barulho de cachorro, mas barulho mesmo, horrível, sabe, aquele barulho horrível de cachorro, e meu pai como ele já sabia, já conhecia, já tinha o conhecimento, né, para nós era novidade, até aquele momento era o que meu pai contou quando era solteiro, mas isso daí é quando nós já estávamos lá com ele.

Aí eu era a mais xereta da turma, né, e eu falei “Nossa, esse barulho, olha os cachorros estão brigando!” e eu peguei a cadeira para olhar no vitrô. Meu pai me pegou no braço e gritou “Não!” – como ele já conhecia, né, ele falou “Não!”, aí eu desci da cadeira e ele falou “Deixa que eu olho” e a gente escutava um barulho muito feio.

Quando ele abriu a cortininha ele olhou e fechou a cortininha rápido, olhou e ficou branco, sabe, meu pai olhou e ficou pálido. “Que foi pai, o que o senhor está vendo? O que foi pai?” e os cachorros brigando e a gente escutou o barulho da cerca cair, mas meu pai não abriu a porta para ver, claro, né? Aí ele falou para nós, assim, “Vamos dormir. Vamos dormir porque amanhã vocês têm que ir para a escola e eu tenho que trabalhar”. “Ah, pai, eu não estou com sono!” – “Não, vamos dormir. Vamos dormir”.

Aí passou o dia, quando foi a noite ele chegou, 17h30 da tarde, mais ou menos eu falei pra ele “Pai, e aquele barulho? Olha, quebrou toda a cerca da mamãe, quebrou toda a cerca que a mamãe fez. Foi aquele barulho de ontem que nós vimos”, aí ele falou assim “Eu vou falar agora, mas não vão ficar com medo, hein! Quando eu abri a cortininha a claridade da cozinha bateu no bicho aí eu vi a cara do bicho, e era o Lobisomem”.

E ali na vila tinha muita história. Toda mulher que tinha neném novo não saia durante quinze dias, meus irmãozinhos mesmo, pequenos. Durante quinze dias não saiam para fora do quarto tinha muito comentário, de sexta-feira, e foi na sexta-feira que nós vimos.

[Julie] – E a história dela com lobisomens não parou por aí, já adulta, com uma filha de 2 anos, outro acontecimento inesquecível a deixou amedrontada a ponto de preferir se mudar de casa.

[Dona Marielza] – Meu marido trabalhava em um restaurante então horário dele chegar eram duas horas, uma hora, os restaurantes fechavam tarde, né, então ele demorava a chegar. E teve uma sexta-feira, eu não esqueço porque eu olhei no relógio faltavam quinze para meia noite e minha filha já tinha dormido e eu estava deitada com ela, e minha janela do quarto era baixinha e no meu quintal tinha um pé de laranja e tinha laranja na época e ficava pertinho da janela. Eu estava deitada na cama e escutei o mesmo barulho, então eu lembrei do meu pai na hora e falei “eu não vou abrir a janela porque é o bicho!” e nós morávamos em vila e era bem interior mesmo, né, e tinha uma adega de vinho perto. Não pertinho de casa, mas há uns 500 metros ficava a adega de vinho. E eu fiquei deitada, fiquei escutando aquele barulho, escutei quando o portão de madeira caiu aí eu fiquei quieta. Fiquei esperando aquele barulho foi, aquele barulho foi, e os cachorros pegando, aquele barulho que eu falava, e eu falei “Meu Deus, e agora?” que meu marido não chegava e eu fiquei pedindo para Deus quietinha esperando e aí de repente o barulho foi. E eu não abri! Não abri a porta, não abri janela, não abri nada. Aí meu marido chegou, era uma hora, mais ou menos, ele chegou e eu abri a porta para ele e ele falou “Ué, o que aconteceu que o portão está quebrado?” aí ele entrou e eu contei para ele o que tinha acontecido, né. E ele falou “Ah, não. Não é nada, não! Era cachorro, briga de cachorro.” Tudo bem, estava de noite, ninguém saiu para fora para ver, ele só falou “o portão está caído, amanhã a gente arruma”, e o portão era de madeira.

A gente foi dormir, eu fiquei mais tranquila, a gente foi dormir, ele tomou banho, a gente deitou e eu fiquei com aquilo na cabeça, né “Nossa, que barulho feio! Será que aquilo foi um lobisomem?”. Aí levantamos e ele foi trabalhar, eram oito e pouco quando ele foi trabalhar aí eu levantei com a minha filha e fui olhar atrás da casa, onde estava o barulho e em volta do pé de laranja tinha sinal de três unhas na volta, um círculo, fez um círculo certinho no pé de laranja que era no lugar do barulho que a gente ouviu. Certeza que se eu conseguisse abrir a janela eu ia ver, então como eu conheci, eu lembro da história do meu pai então eu não abri, senão eu ia ver o bicho, né? Aí eu chamei a vizinho do lado, que é mais conhecida, mais antiga ali, e eu chamei ela, falei assim “Vem aqui, faz o favor, um pouquinho. O que é isso aqui? E você escutou o barulho ontem” e ela falou “Escutei. Ah, mas a gente está acostumado com esse barulho.” “Como assim ‘acostumada com esse barulho’?” e ela falou assim “Não, é o Lobisomem”, e eu fiquei assustada, né?  Depois ela falou assim “Sabe porquê tem muito lobisomem e tem mesmo – ela falou – e a gente não sabe quem é a pessoa mas tem um lobisomem e sexta-feira eles passam por aqui porque eles vão lá onde faz vinho, vão lá onde tem uva” e eu falei “Meu Deus, a senhora já viu?” e ela falou “Já, já vi várias vezes”.

Aí eu fiquei com medo de ficar na casa e aí eu mudei.

[Julie] – Perguntei a Dona Mari se, além do lobisomem, ela já vivenciou alguma outra história assustadora com outras figuras, como o Saci, por exemplo. Ela contou duas: uma vivida por seu pai e outra por ela mesma.

[Dona Marielza] – Eu tenho duas, uma que meu pai contou também. Ele foi caçar com o irmão dele, e então eles tinham costume de assoviar assim, eu não sei o jeito. Aí eles estavam na mata ele e meu pai estavam com espingarda caçando, ele e o irmão dele e se perderam na mata cada um foi para um lado. Aí começaram a assoviar e de repente começou (fiu fiu) perto dele e ele achava que era meu tio aí ele foi no encontro e ele acompanhando o assovio desse tipo o irmão dele já estava na casa dele. Aí quando ele percebeu ele falou que viu uma chama de fogo correr para a mata e ele foi embora, disse que arrepiou o corpo dele inteirinho e quando chegou lá o irmão dele já estava lá na casa dele.

[Julie] – Então não era o irmão que estava assoviando?

[Dona Marilza] – Não, não era o irmão que estava lá.

A minha mãe, teve uma época em que ela bebia e ela sempre dava um pouquinho de trabalho e teve uma sexta-feira, por isso que eu falo para você, eu marco.

Então, todo mundo estava dormindo, meu pai, meus irmãos e nós estávamos com a minha mãe na cozinha e ela não queria dormir, ficava brigando. “Vamos dormir, mãe. Já é tarde, vamos dormir” “Não, eu não vou dormir!” e ficava brava, aquela voz dela, ela tinha um olho verde e o olho dela ficava vermelho, sabe assim. Aí ela “Não, não vou dormir!” e a gente puxava ela, aí ela abriu a porta e como não tinha lâmpada lá fora, era escuro, você não via nada e nosso quintal era cheio de plantação, nós não vimos nada, nada. Aí ela saiu no tanque, quando ela saiu no tanque, “Mãe, vem para dentro, vem para dentro!” e ela “Não vou! Não vou!” brigando com nós, passou um vento tão forte, tão forte perto de nós, entre meu irmão e minha mãe, entre nós, assim, um vento que, nós tínhamos plantação, que abaixou a árvore de goiaba, só um pedacinho, e quando passou esse vento veio três assovios bem forte no ouvido da minha mãe e nós ouvimos. Aí ela olhou, assim, ela olhou no escuro e ela ficou com medo e ela viu, no outro dia ela falou, na hora ela não falava, aí ela foi dormir.

Eu tenho um, não é nem história, tudo que eu estou falando é o que aconteceu mesmo. Uma vez, aí eu já tinha 21 anos, nós vínhamos da igreja, e onde a gente morava é pedreira mesmo então era um quilometro que nós tínhamos que andar, descia do ônibus e nós tínhamos que andar um quilometro de estrada, mato, escuro.

E nós vínhamos da igreja e nós perdemos o ônibus, estava eu, o meu irmão uma colega e outro meu irmão. Aí pegamos uma carona, descemos lá e viemos embora, andando e aí meu irmão mais velho começou a fazer, sabe, fazer graça? “Ah, tá escuro, e nós no meio do escuro” e eu falei “Para com isso, para de brincadeira porque tem uma encruzilhada lá na frente” – e na encruzilhada tinha acontecido muito caso de pessoas que eles contavam para nós – “Não começa a abusar, não começa a falar as coisas que é perigoso, chama bicho.”

“Ah, chama nada!”, “Chama! Vamos ficar quieto!” e nós tínhamos que passar em frente à um cruzeiro e muitas pessoas acendiam velas naquele cruzeiro e naquela noite não tinha nenhuma vela acesa, tinham muitas velas apagadas, aí meu irmão pegou uma vela e jogou “Ah, não tem perigo nenhum não. Não tem nada não!” e eu não vou abusar, eu falei “Não abusa”.

Aí a gente começou a andar, de repente nós escutamos atrás de nós barulho de porco, gente, ficou na minha cabeça até hoje, isso daí.

Quando eu escutei o barulho, como eu já sou calejada com muitas histórias eu falei “Não olhem para trás, nenhum de nós, não olhem para trás!” aí nós nos abraçamos, os braços, eu e minha amiga ficamos no meio meus irmãos dos lados e cada um pegou no braço um do outro e começamos a caminhar, naquela escuridão. Eu falei “Não olhem para trás” e o barulho nos acompanhando. Aí minha amiga começou a chorar e eu falei “Não chora, também. Se nós viemos da igreja não vai acontecer nada ‘com nós’”, como eu era a mais velha então eu tive que falar, né? Aí aquele que abusou ficou quietinho e o barulho atrás de nós e parecia um monte de porco, e tinha uma casinha lá que não tinha porco, ninguém tinha criação de porco, um dos meninos olhou para trás e falou “Quanto porco!”, aí eu falei “Meu Deus, não olha mais para trás. Não olhem! A gente vai passar na encruzilhada, não olhem para trás.”

Aí o barulho cessou, dos porcos, parou. Chegamos na encruzilhada, passamos e eu ainda pedi, eu falei “Meu Deus cuida de nós”, aí quando nós passamos na encruzilhada nós viramos à esquerda, continuou com mato, na frente tinha uma casinha mas naquela época todo mundo dormia cedo, né, a maioria das pessoas não tinha televisão, então dormiam cedo. E nós lá com medo, nós quatro.

Quando nós passamos na encruzilhada de repente passou um vento tão forte que eu não sei explicar para você o tipo de vento que passou tão forte que arrepiou nós quatro, e esse vento fez um caminho no mato, nós paramos e olhamos, nós ficamos com medo. Aí minha amiga continuou chorando – “Não chora, vamos todos nós ‘ficar’ firmes e pensamento em Deus que nós temos muito o que andar ainda”, só que aí nós começamos a andar do lado esquerdo da mata nós não vimos nada e um barulho muito feio, muito feio mesmo que acompanhou ‘nós’ e nós ficamos sem conversar só ouvindo, do lado esquerdo. O barulho acompanhou ‘nós’ até quando apareceu a iluminação de uma porteira que o porteiro ficava lá, que nós chamávamos de “guarda” e esse guarda usava uma capa preta e nós cismamos com a capa preta do homem e aí nós avistamos, quando nós avistamos ele, ele se chamada Eugênio, o nome dele, quando nós avistamos ele nós ficamos tranquilos aí o barulho parou, porque chegou na claridade

 

Ficou com medo? Tem mais alguma outra história arrepiante que aconteceu com você? Então nos conte através dos comentários do Facebook!

 


 

Eu gostaria de agradecer imensamente a Dona Marielza que contou todas essas histórias pra gente e me recebeu com um delicioso bolo de fubá e arroz doce. Foi muito bom o nosso bate-papo, Dona Mari!

 

Por hoje é só!

Se gostou deste episódio, pode ser que também goste do Mistérios do Polytheama, que já está no ar. Dá uma olhadinha!

 

Valeu gente, até a próxima!

 

 

Fontes:

http://quemeobrasil.blogspot.com/2013/10/trabalho-de-historia-cemiterio-nossa.html

http://www.jundiagora.com.br/quem-tinha-medo-da-maria-dos-pacotes/

http://www.jundiagora.com.br/historia-arte/

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