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Neste quarto texto sobre Direção de Arte, você irá aprender um pouquinho sobre a trajetória do nosso alfabeto e as ferramentas que utilizamos na parte visual de um texto.

Se você ainda não leu nossos textos sobre Direção de Arte, é conferir clicando nos temas: Criatividade e Briefing, Cor e Imagens e Redação.

História da escrita

As pinturas rupestres foram o primeiro passo para a escrita. Seis mil anos antes de Cristo, na Suméria, e depois no Egito, os desenhos transformaram-se em ideogramas ou símbolos que representavam as ideias passadas pelos objetos.

Na mesma terra dos sumérios, a Mesopotâmia, desenvolveu-se um sistema de símbolos fonéticos, gravados em tabuletas de argila, em que um mesmo sinal podia ter vários significados. Gravavam-se os caracteres com um estilete na argila úmida. Em seguida, as tabuletas eram cozidas, como tijolos, até endurecerem. O estilete traçava, no barro, sinais formados por linhas retas, escrita essa que os historiadores chamaram de cuneiforme. credita-se que a escrita se desenvolveu por motivos comerciais: para registrar o número de ovelhas que pertencia a uma determinada família ou indicar o deslocamento desses animais para um determinado lugar. A escrita cuneiforme sobreviveu aos sucessivos impérios que povoaram a Mesopotâmia – sumérios, acádios, caldeus e assírios –, registrou a literatura de 15 diferentes línguas e cobriu uma área ocupada hoje por Iraque, Irã Ocidental e Síria.

Os egípcios foram um dos primeiros povos a criar símbolos para registrar suas ideias, certamente influenciados pelos povos da Mesopotâmia. A escrita egípcia originou-se na forma de hieróglifos, palavra grega que significa gravuras sagradas. Desde sua origem, essa escrita consistiu em uma combinação de ideogramas (sinais que representam ideias) e fonogramas (sinais que representam sons).

A princípio, cada hieróglifo representava uma palavra ou uma ideia completa. Mas, com o desenvolvimento da escrita hieroglífica, quase todos os sinais adquiriram valores fonéticos. Podiam ser usados para representar sons e, juntamente com outros hieróglifos, indicar palavras que nada tinham a ver com as imagens. Selecionando 24 hieróglifos para 24 sons consonantais diferentes e acrescentando outros para representar grupos de consoantes, os egípcios chegaram muito perto de um alfabeto, no entanto, não possuíam vogais. Os egípcios desenvolveram três formas de escrita. A mais antiga, usada pelos sacerdotes em monumentos e tumbas, foi chamada hieroglífica. Da escrita hieroglífica derivou uma forma cursiva, usada nos papiros, chamada hierática e da qual resultou, mais tarde, a escrita demótica, de uso geral.

A escrita era privilégio das classes dominantes que mantiveram o sistema longe do alcance popular, como forma de dominação. Afinal, quem domina o conhecimento detém o poder: esta será uma constante ao longo da história humana. Passaram-se milhares de anos até a humanidade chegar à sua mais notável realização intelectual: o alfabeto, um sistema de escrita fonética simplificada, isto é, um recurso para representar os sons da fala.

O alfabeto tem evoluído nos últimos quatro mil anos e ainda está longe de ser um instrumento perfeito, segundo os linguistas. Existem diversos alfabetos ainda em uso, como o hebraico e o arábico. A origem do alfabeto que empregamos hoje passa pelos fenícios, pelos gregos antigos e pelos romanos.

Por volta de 1450, um jovem alemão chamado Johannes Gutenberg, percebeu que seria possível imprimir livros usando tipos móveis de metal adaptados a uma prensa de uvas. Os chineses já usavam letras móveis de louça desde o século XI. Mesmo na Europa já se imprimiam textos a partir de entalhes em blocos de madeira. O que Gutenberg fez foi criar um sistema de impressão com um processo mais rápido e produtivo, além de utilizar um novo suporte para o texto escrito: o papel.

Em meados dos anos 1800, a tipografia passou de artesanato a indústria, com volume de produção, operários (não mais artesãos), máquinas (no lugar de instrumentos) e organização mercantil, atendendo ao mercado e suas exigências. Essa passagem contribuiu de maneira decisiva para a democratização da cultura, permitindo em escala jamais sonhada a consulta direta de milhões de pessoas ao texto impresso. Isso ocorreu não só pela multiplicação dos exemplares, mas devido a seu barateamento. A indústria editorial tornou-se um setor produtivo de geração de riqueza. O século XX foi a grande era industrial do livro. Novas tecnologias e grandes rotativas permitiram a impressão de milhões de exemplares, de uma forma jamais imaginada e impossível de ser feita por Gutenberg em sua prensa original.

 

Tipografia

A tipografia ocidental nasce no século XV, com a produção da Bíblia de Gutenberg. Para essa obra foi criada a primeira fonte tipográfica latina. Apesar de copiar os caracteres manuscritos (escritos à mão) dos monges copistas, o processo de desenvolvimento dos tipos é muito diferente. Nos livros manuscritos, percebemos o ritmo manual do desenho e quais partes dele ficam mais claras e escuras. Já no processo de Gutenberg, as letras foram esculpidas nos tipos de metal e possuem uma textura uniforme.

A terminologia e a anatomia tipográfica facilitam a identificação das diferentes características dos tipos. Além de reconhecer as diferenças entre os caracteres, a terminologia facilita a comunicação durante o processo criativo e, também, traz a possibilidade de aprofundar a análise do projeto.

  • Corpo: É o tamanho da letra. O corpo é medido em pontos (pt), e uma fonte possui tamanhos variados: 12 pt, 20 pt etc.;
  • Ligadura: É uma união entre, por exemplo, a barra da letra f e as letras i e l. É um detalhe que pode facilitar a legibilidade da palavra, dependendo da forma da fonte, do espaçamento entre caracteres etc.
  • Leading (entrelinha): Trata-se do espaço entre uma linha e a outra. Esse recurso permite que você decida qual é a entrelinha mais adequada para o seu projeto criativo. É ideal que se ajuste o leading de acordo com seu projeto;
  • Tracking: Trata-se de um ajuste de espaçamento entre os caracteres. Podemos aumentar ou diminuir o tracking para melhorar a legibilidade de uma letra, aproveitar espaço ou, até mesmo, como recurso estético;
  • Kerning: É um ajuste entre pares de letras especiais. Normalmente, quando as letras V, T, W e, em algumas situações, as letras P e F de caixa-alta são empregadas, o próximo caractere minúsculo invade essas letras. O kerning surge, nesses casos, como uma ferramenta de otimização do espaçamento entre letras. Algumas fontes já possuem ajustes automáticos de kerning;
  • Caixa-alta: São letras maiúsculas. Essa denominação faz referência ao local em que os caracteres maiúsculos dos tipos de metal ficavam guardados: a gaveta (caixa) de cima;
  • Caixa-baixa: São as letras minúsculas, que ficavam guardadas, quando os tipos eram fundidos, na gaveta (caixa) de baixo;
  • Versalete: São letras do alfabeto que têm formato de maiúsculas, porém, cujo tamanho é menor. São alinhadas com a altura de x. Também são conhecidas como Small Caps;
  • Capitular: É a primeira letra, maior que as utilizadas na massa de texto. Normalmente ocupa duas ou três linhas e originalmente era utilizada para indicar o início de um capítulo – daí o seu nome, capitular.

 

Caixa-baixa e Caixa-alta são denominações que fazem referência ao local em que os caracteres dos tipos de metal ficavam guardados: a gaveta (caixa) de cima para os maiúsculos e a gaveta (caixa) debaixo para os minúsculos.

 

Algumas fontes com serifa são ideais para facilitar a leitura de grandes massas de texto. Muitos estudos afirmam que esta característica conduz os olhos durante a leitura, o que resulta na ergonomia visual. Podemos observar que revistas com maior periodicidade e jornais de grande circulação usam fontes serifadas para que o leitor consiga digerir um grande volume de informação com o maior conforto possível. Isso ocorre porque a serifa faz com que a fonte se apoie tanto na ascendente como na descendente, criando pontos de equilíbrio que diminuem a chance de que o leitor não acompanhe o texto.

As fontes sem serifa não possuem adorno, seu acabamento é reto e, por isso, sua leitura requer mais concentração, já que a ausência de serifa não cria a sustentação na linha base e ascendente, como no caso das fontes com serifa. Como as fontes sem serifa demandam uma atenção extra no momento da leitura, são ideais para textos que requerem atenção, principalmente os informativos, que devem ser digeridos mais lentamente. Por exemplo, revistas com pouca periodicidade, cartilhas, sinalização, bulas de remédio e manuais técnicos. As fontes sem serifa também são muito utilizadas em anúncios publicitários, títulos e marcas. O importante é escolher a fonte de acordo com o projeto tipográfico.

As fontes manuscritas ou caligráficas geralmente implicam intimidade, por imitarem a escrita manual. São muito comuns em chamadas de perfumes, lingerie, peças românticas, produtos artesanais ou caseiros e artigos para crianças.

Para a nova identidade da empresa Olivia – Cozinha Natural, utilizamos uma tipografia manuscrita em sua identidade visual para aproximar a marca ao consumidor. Além de fazer referência aos produtos artesanais.

 

O próximo e último texto sobre Direção de Arte será sobre Identidade Visual e Layout, não perca!

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