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O Hacktown 2018 trouxe Paula Rizzo, da e*ideias, uma consultoria de inspiração estratégica e criativa para a inovação. Ela já trabalhou para agências como Almap BBDO, DM9DDB, Leo Burnett…e mandou vários cases na palestra “Como a tecnologia e os novos modelos estão mudando paradigmas”. Vamos lá!

Paula começou com foco em Produtos e Serviços Inteligentes. Na primeira etapa, mostrou soluções para menor desperdício, com campanhas como “Natura Sou” (uso até a última gota), “Puma Clever Little Bags” (embalagem reutilizável e com uso de 65% menos papelão. Veja vídeo aqui) e essa campanha que me chamou a atenção, da “CleanPath” (deixaram de utilizar água no produto de limpeza e economizaram na venda do produto. Veja o vídeo aqui). Para os três casos, a importância do design com foco na economia.

Logo depois ela lembrou de como os modelos de compra coletiva inspiram grandes players do varejo, como foi o caso do WalMart, que oferecia semanalmente ofertas na página do  Facebook, que eram válidas após o produto atingir uma certa quantidade de ‘likes’. Cada cliente podia ‘curtir’ uma vez e comprar também uma vez o produto. Ambos saiam ganhando, pois o WalMart determinava a quantidade e o desconto que estava disposto a oferecer e o grupo de pessoas adquiria com valores promocionais. Pensando nisso, qual é a sua estratégia para Compras em Grupo? Vamos desenvolver uma ação juntos?

Em seguida, o papo foi sobre Novos Modelos de Distribuição. E foi muito interessante essa etapa, pois já estamos vendo uma mudança cultural no comportamento das pessoas, como no caso da venda direto do produtor, lojas itinerantes, vendas a granel com abastecimento de refil e sistema de reciclagem pré-consumo, como é o caso do Pão de Açúcar, que disponibiliza o chamado Caixa Verde, para os clientes deixarem as embalagens de produtos que não precisam levar para casa, como as caixas de pasta de dente, por exemplo. Essas embalagens entram em um processo de reciclagem e geram economia para a marca do Grupo, a Taeq.

Outro tema dentro de Produtos e Serviços Inteligentes foi o de Novas Soluções de Entrega, que já está bastante comum nos grandes players de comércio eletrônico. São estratégias de Click & Collect e o de Entrega no mesmo dia. Ainda temos a ação de compre online na loja e, aí, vale lembrar de uma campanha da Amazon Go. Se você ainda não viu o vídeo, clica aqui e aumente os views *hoje com mais de 12mi. Esse tema me lembrou o evento Seller Day, que acompanhei recentemente, e trazia dados do Black Friday, na qual os consumidores preferem em primeiro lugar “um prazo de entrega excelente”. Veja aqui!

A palestra de Paula Rizzo, apenas nesta primeira parte, ainda passou pela Força do D2C, ou seja, a venda online direta para o consumidor, os famosos  clubes de assinaturas. Ela apresentou campanhas internacionais como Dollar Shave Clube e The Honest Company, mas poderia ficar pelo Brasil com modelos de sucesso como Clube Wine e Gluten Free Box. Acho importante destacar as estratégias desses clubes que sempre trazem um sistema simples de acesso, com vantagens perceptíveis e convencimento agressivo de entrada, como “experimente grátis”.

Depois partimos para os Serviços Colaborativos, como sites de comparação de preços e de trânsito, passando para Pay Per Use, como TV por assinatura pré-paga e planos de saúde.

Os bens de consumo de luxo podem ter grandes oportunidade de mercado. Imagina uma situação na qual você aluga bolsas de grife e joias ou então carros esportivos, apenas ‘para variar’ ou pelo momento de ‘poder ter’. Não estamos falando de preço, mas sim de conveniência. Por que não?

Ou então, inverter onde antes haviam produtos e agora são serviços. Que tal alugar uma árvore de natal? Existe uma empresa que faz isso, e depois ela cuida em um viveiro por todo o ano. Se quiser alugar a mesma no próximo Natal, você pode. Ou seja, além de atingir o público pelo racional (que convenhamos, quem guarda árvore em casa, só serve para atrapalhar espaços) e pelo emocional (você cria um laço afetivo com aquela em específico).

Produtos e Serviços Inteligentes é ter uma mentalidade de uso consciente, sem exageros e sem desperdício, que pode representar acesso às classes mais baixas e que também significa adaptação aos tempos atuais e aos valores das classes mais altas.

A segunda parte da palestra de Paula Rizzo foi focada na Economia Circular. Como iremos otimizar recursos e transformar ociosidade em dinheiro ou em novas experiências. Ela pegou quatro grupos de exemplos: Imóveis | Tempo | Espaços na Cidade | Produtos, com algo em comum: o não uso. Vou exemplificar.

O que está acontecendo com os Imóveis sem ocupação? O mais popular, que você já deve ter usado, é o Airbnb, a plataforma de aluguel de imóveis e que está gerando renda extra para milhares de famílias. E qual foi a história deles? Eles foram questionadores. Quando você imaginaria abrir sua casa para um estranho. Eles simplesmente perguntaram: Por que não? Para completar esse quadro, temos ainda os pontos comerciais ociosos que dão lugar para lojas pop-up e galpões desativados que viraram co-working.

Quando pulamos de Imóveis para Tempo, temos como referências o UBER. Pessoas que estão disponíveis e podem fazer a economia circular. Assim como os APPs de Taxis e o de entrega, como o Rappi.

Para os espaços na cidade abandonados vimos o surgimento de parkelts, renovações em pinturas e mobiliário criativo, o que é bom para as pessoas e cidades e ainda uma excelente oportunidade para ativação de marcas. Aqui em Jundiaí temos alguns parklets, sendo um em frente ao Smoked Burguer. Quando de valor agregado não atraiu para a marca? Já em Santa Rita, além de estar ao lado do Grandpa Joel’s Coffees, o parklet possui energia solar!

Para fechar o painel de Economia Circular temos os Produtos que não estão sendo usados e aí entra uma variedade de plataformas de compra e venda como Enjoei e Mercado Livre, outros de compartilhamento de itens pouco usados entre vizinhos como o Tem Açúcar e ainda as plataformas de venda de comida caseira ou excedente como o Apptite.

A pergunta que fica neste painel é: esta venda de tempo, espaço ou capacidade ociosa pode se configurar como um novo serviço?

No meio da palestra você acaba agradecendo por ter escolhido uma tão enriquecedora no Hacktown. Paula passou pelo painel de Faça Você Mesmo e também por Substituições Criativas. Para ela, em um cenário de recessão, o brasileiro aprendeu a consumir:

  • Ao invés de jantar fora, cozinha para amigos;
  • Ao invés de tv a cabo, Netflix;
  • Ao invés da cozinheira, diarista que faz congelados.

E aí a gente relembra dos clubes que comentei acima, que geram menos desembolso e mais variedade. Mas acredito que o mais importante é refletirmos de como a tecnologia está a favor da eficiência e até de projetos antes inimagináveis.

Na área da saúde, sensores sensíveis ao movimento ou à temperatura podem transmitir um sinal se alguém se esqueceu de tomar um remédio. No dia a dia, a marca francesa de águas Evian colocou o serviço Chez Vous, que possibilidade pedir garrafas de água mineral para entrega direta em casa através de um sensor acoplado na geladeira, e ainda um projeto criado para ajudar os que sofrem de asma. Chamado de Propeller, funciona com um acessório acoplado ao inalador que vem com um GPS embutido, onde armazena os dados cada vez que a pessoa tem que usá-lo e compara com dados de outras pessoas. Isso permite que cada usuário comece a gerar um mapa de lugares que mais afetam a asma, permitindo que a pessoa comece a evitá-los.

Em uma hora é possível rever campanhas e conceitos que já venho acompanhando no dia a dia de um trabalho de comunicação, mas sempre me surpreendo com as infinitas possiblidades que a tecnologia nos oferece. Ela democratiza e permite criar uma nova forma de agir em sociedade, sendo responsável por mudanças na economia. Vamos insPirar juntos novos modelos de negócio!

 

Ah, desenvolvi outros textos sobre o Hacktown. Acompanhe aqui abaixo nos links 🙂

 

 

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